quinta-feira, 29 de abril de 2021

Qual a probabilidade de gabaritar uma prova de concurso apenas chutando as respostas?

 Qual a probabilidade de gabaritar uma prova de múltipla escolha de concurso apenas chutando as respostas?

 Bom, antes de responder a questão que propus no título supracitado, permitam-me explicar o que eu quero dizer com gabaritar, porque não sei se este é um regionalismo aqui do RJ e seria entendido por eventuais leitores de outras partes do Brasil. Basicamente gabaritar é como vulgarmente se chama quando alguém tira a nota máxima em determinada prova.

 Pois bem.

 Suponhamos que dado concurseiro sonhador resolva tentar passar em dado concurso por uma estratégia milagrosa, sem se quer olhar as questões de uma prova de múltipla escolha e apenas demarcando o gabarito como quem escolhe números de loteria, qual a probabilidade de acertar todas as questões e assim garantir uma vaga? Afinal, nos concursos mais disputados que temos visto ultimamente, notas menores que 90% já estão abaixo da zona de classificação. Ora, então há quem classifique com menos de 100%, claro - e é o mais comum, acertar tudo seria algo muito fora da curva de probabilidades -, mas para nossa brincadeira vamos considerar apenas quem acerta tudo.

Doravante, vamos batizar está estratégia calcada exclusivamente em sorte como estratégia loteria.

Antes de  começar a escrever o post eu ia realizar os cálculos, mas como na internet já encontramos tudo mastigado, encontrei este site que faz o cálculo para gente, basta inserir o número de questões e quantidade de alternativas.

 Eu coloquei os parâmetros para uma prova de 20 questões e cinco alternativas, com apenas uma certa, mas ou menos o padrão que vemos com certa frequência em concursos menos disputados, em concursos mais acirrados, o mais provável é encontrar provas com pelo menos 40 questões.

O resultado que obtive foi inferior a 0.0001%. Nada muito especifico - embora já vemos que a coisa não é boa. Então vamos calcular no braço para encontrar a probabilidade certeira. Por favor, me deem um desconto porque eu sou de humanas.

A probabilidade é: (1/5) ^ 20, ou 1 em 95.367.431.640.625, ou aproximadamente 1 em 100 trilhões (10 ^ 14, ou 1 seguido por 14 zeros).

Para dar alguma perspectiva sobre a absurda probabilidade sobre a qual estamos tratando aqui, trago algumas considerações:

- é cerca de um milhão de vezes menos provável do que ganhar na mega sena efetuando a aposta minima, onde você tem que obter 6 números entre 60 opções possíveis

- é cerca de 100 vezes menos provável do que prever corretamente, ao acaso, se o mercado de ações vai subir ou cair em cada um dos próximos 40 anos

Melhor começar a estudar para a prova...

Ou apostar na mega sena... como vimos a probabilidade é melhor e o bilhete é mais barato do que a inscrição de concursos.




sábado, 24 de abril de 2021

Cancelamento do Censo 2021 pode levar a suspensão de processo seletivo

 O processo seletivo que será (seria?) realizado pelo IBGE para contratação temporária de agentes para realização do censo sofreu um primeiro red flag quando o congresso anunciou cortes no orçamento para o censo.

De la pra cá, a situação piorou e com o orçamento sancionado pelo presidente Bolsonero, o governo confirmou que não haverá censo do IBGE neste corrente ano.

Creio que o próximo passo óbvio será o anuncio da suspensão do certame, afinal, não há porquê realizar uma prova em ano de pandemia para atividades que não ocorrerão em 2021.

Um baque para concurseiros em inicio de carreira, que vêem neste processo seletivo do IBGE uma oportunidade de sentir o um gostinho do prazer que é ser servidor público. Seria provavelmente o maior processo seletivo do ano e quem sabe até da década em termos de números de inscritos e de vagas.

Sem falar na oportunidade que geraria a inúmeros desempregados Brasil afora, mas não, a prioridade parece ser dar esmola a população do que dar emprego, parece ser da cabides de emprego aos amigos do rei do que pagar um salário digno a uma população desempregada que quer e precisa trabalhar.



quinta-feira, 22 de abril de 2021

Dica: duas provas no mesmo dia

 Concursos andam tão escassos ultimamente, situação essa que se acirrou na a pandemia, que não podemos nos dar ao luxo de escolher umas poucas provas para realizar, devemos agarrar as escassas oportunidades que aparecem e tentar fazer o maior número de certames possível.

E o que pode ser entendido como esse patamar possível? Basicamente concursos que estejam dentro de nosso orçamento financeiro e de nosso tempo hábil. Provas no outro lado do país estão, por exemplo, automaticamente descartadas devido a enorme demanda de tempo e de recursos financeiros que estas exigiriam.

Nesse sentido, é muito importante aproveitar oportunidades de fazer duas provas no mesmo dia, para cargos diferentes em um mesmo órgão. De modo que, é bastante usual que órgãos dividam as provas de seus concursos em turnos para facilitar a organização, é justamente nesta brecha que o candidato poderá aproveitar e fazer dois exames, um pela manhã e outro  tarde. 

Essa estratégia é especialmente proveitosa para quem vem de outra cidade fazer prova, aproveita e faz uma segunda, dois coelhos em uma cajadada só, como se diz naquele velho provérbio popular.

Mas há que se ater a um ponto negativo desta estratégia: a prova de manhã pode deixar o candidato desgastado para a que vier a tarde, pelo menos comigo é assim, portanto somente utilizo essa estratégia se a prova em que eu estiver focado for a de manhã. Volto a tarde para fazer uma prova que não é meu foco, e sem a mesma pressão da anterior, bem como já aquecido.

Outro ponto importante e bastante óbvio diz respeito ao fato de que tais provas devem ter a maior parte de seu conteúdo similar, de modo que os seus estudos para a prova principal serão aproveitados na prova secundária.

Lembre-se que classificar dentro das vagas é questão de detalhe.

Classificar ou ficar em nível de nota pareado com quem classifica não é detalhe, nem sorte, é preparo. Agora, a diferença entre classificar e derrapar naquela questãozinha ou outra, aí sim é detalhe.

Quem sabe então você derrapa pra menos na sua prova de foco/ primária, mas surpreendentemente derrapa pra mais naquela sua prova secundária e que não era o seu foco principal.




segunda-feira, 5 de abril de 2021

Tio Patinhas e o dinheiro

O vídeo a seguir é um curta animado estrelado por um dos mais famosos investidores da ficção: Tio Patinhas.

Embora produzido em 1967, a aula permanece atual e é bem pertinente de ser apresentada a crianças pequenas - e muitos adultos crianções também, inaptos com dinheiro.

Infelizmente somente achei o curta com áudio original, em inglês. Sei que a maioria dos visitantes deste site somente é fluente em português, portanto posteriormente procurarei o curta com mais calma e qualquer coisa atualizo o post:



segunda-feira, 29 de março de 2021

O pior dispositivo da Reforma Administrativa

 Como bem sabemos, está tramitando no Congresso Nacional a PEC de número 32, mas conhecida por PEC da Reforma Administrativa, assinada por ninguém menos que Paulo Guedes, alguém que não entende absolutamente nada de administração pública -- e não sei nem se entende de Economia, tendo em vista que se mostrou ser um ministro  pior que Guido Mantega, mas isso é assunto pra outra hora.

Muitos pontos da reforma são dignos de critica, mas este um trecho em especial que é um verdadeiro desastre.

Não, não me refiro aqui ao fim da estabilidade previsto pras carreiras não tipicas do Estado, embora seja um este um alvo de muitas críticas.

Me refiro ao seguinte texto, por favor, leia a passagem e atenha-se ao que grifei em negrito e tente deduzir ao que me refiro:

(...) II-A - a investidura em cargo com vínculo por prazo indeterminado depende, na forma da lei, de aprovação em concurso público com as seguintes etapas: 

a) provas ou provas e títulos; 

b) cumprimento de período de, no mínimo, um ano em vínculo de experiência com desempenho satisfatório; e 

c) classificação final dentro do quantitativo previsto no edital do concurso público, entre os mais bem avaliados ao final do período do vínculo de experiência; 

II-B - a investidura em cargo típico de Estado depende, na forma da lei, de aprovação em concurso público com as seguintes etapas: 

a) provas ou provas e títulos; 

b) cumprimento de período de, no mínimo, dois anos em vínculo de experiência com desempenho satisfatório; e

c) classificação final dentro do quantitativo previsto no edital do concurso público, entre os mais bem avaliados ao final do período do vínculo de experiência;

Ora, muitíssimo desnecessário dizer, pelo menos para quem conhece administração pública e a cultura laboral brasileira de modo geral, que essa tal avaliação ao longo do chamado vinculo de experiência seria um total desestre, de modo que favoreceria questões de cunho pessoal em detrimento de aspectos estritamente técnicos.

De modo que essa tal avaliação teria aspectos inerentemente subjetivos que favoreceriam, por exemplo, servidores mais bem relacionados e não necessariamente de maior qualidade técnica, vide o que ocorre hoje no setor privado brasileiro.

Sendo assim, uma avaliação somente seria justa com cargos que pudessem ser avaliados com parâmetro puramente objetivos, qualquer coisa além disso não daria certo.

Concursos públicos de provas, ou provas e títulos, por exemplo, são formas de avaliação puramente objetivas, selecionam os melhores.

Desnecessário dizer que a qualidade do serviço público brasileiro cairia muito com essas avaliações subjetivas, de modo que o peso politico na avaliação seria muito grande.

Não acredita? Olha como a esmagadora maioria dos cargos em comissão são nomeados hoje em dia, veja se a maioria é composta por profissionais qualificados.

Ou se atenha a concursos que possuem critérios mais, digamos, curiosos em sua seleção, como os de docentes de universidades públicas e tire suas próprias conclusões...

Bom, isso é o que diz o texto original, de Guedes, ainda vai passar pelo congresso, sofrer emendas, pode melhorar, mas pode piorar...

Reforma incluindo fim dos cargos comisisonados de cabide, ninguém quer.



sexta-feira, 26 de março de 2021

Concursos na pandemia: Panorama geral

 No ultimo post escrevi sobre o processo seletivo do IBGE, contudo está semana, já li por alto na imprensa que que o governo já cortou cerca de 90% da verba para o censo 2021 (que deveria ter sido realizado em 2020), o que torna, muito possivelmente, o trabalho inviável e consequentemente o processo seletivo talvez acabe sendo  suspenso.

É o momento pelo qual passamos.

Nos últimos meses, tivemos muitos episódios de provas de concursos já marcadas sendo suspensas por conta da pandemia, li pelo menos sobre um episódio, o do concurso para polícia civil do Paraná que foi suspenso aos 45 do segundo tempo, em plena madrugada anterior a prova. Imagina só, gente que se deslocou para prestar a prova, vindo de outras cidades, ou mesmo de outro estados, desembolsando dinheiro e tempo para se deparar com uma prova que não houve.

Os concursos estão extremamente escassos, a ultima vez que fiz um foi em 2019 e foi o único que fiz naquele ano, em 2020 não fiz nada, e pelo andar da carruagem, duvido muito que pinte alguma coisa em 2021, especialmente neste primeiro semestre, no qual creio já ser possível descartar a esperança de algum edital interessante.

Ainda temos o fantasma de uma reforma administrativa bizarra elaborada por gente que não entende nada de administração pública (Paulo Guedes), pairando sobre o congresso,  que, se aprovada como está, traria critérios subjetivos a seleção, levando claro a politicagens e favoritismos pessoais, isso é bastante óbvio para quem não é ingênuo e conhece um minimo sobre a cultura brasileira.

Os concursos somente voltarão normalizados então com o fim da pandemia, o consolo é que talvez venham em maior números, afinal estarão acumulados após um período tão longo parado.

Medidas extremas se fazem necessárias então.

Hoje escrevo deitado na rede de casa, começo um feriadão de 10 dias conforme lei estadual aqui do RJ.

A pandemia precisa ser contida o mais rápido possível, especialmente para salvarmos vidas, para reaquecermos a economia e também para impedirmos que a situação piore (eventual surgimento de variantes mais perigosas). E, para nós concurseiros e para o bem da Administração pública, que os concursos retomem, de preferência não regulamentados por uma reforma bizarra como aquela que entrou no Congresso.

É o que precisamos em um mundo ideal.





domingo, 21 de março de 2021

Processo seletivo do IBGE deve vir "pegado"

 O IBGE lançou alguns editais para provimento de cargos temporários para realizarem o Censo 2021. Vou fazer este processo? Evidentemente que não, não posso acumular com o meu cargo efetivo, mas, como entusiasta do esporte concurso público que sou, não posso deixar de notar que está prova deve vir disputada.

Há muitas vagas, é verdade, mas o percentual de desemprego no país atualmente está altíssimo, portanto, muito provavelmente estes cargos temporários do IBGE devem atrair muita gente desempregada.

Recomendo este cargo para concurseiros experientes que seguem a estratégia Carreira de concurseiro, muito preconizada neste blog? Somente se o concurseiro em questão estiver desempregado e ficar uns meses como temporário do IBGE não comprometer os estudos para cargos mais sérios. Faça uma reserva de caixa muito modesta com essa parca remuneração e posteriormente volte a se dedicar exclusivamente aos estudos, já tendo uma reserva para pagar eventuais despesas emergenciais.

Agora, se você já for concursado, ainda que em um cargo que pague menos que o do IBGE, então, não recomendo que faça este processo seletivo, afinal, depois de passado o prazo temporário do IBGE você terá aberto mão de seu outro cargo e ficará desempregados e, meus amigos, eu que já passei por isso, digo que ser concurseiro desempregado gera um estresse muito grande, sendo preferível ser concurseiro já empregado em um concurso básico, nem que seja um de salário minimo.


Em tempo: Há alguns anos escrevi sobre outro processo seletivo do IBGE, muito do que falei na ocasião vem a calhar para este processo de 2021 também, confere aqui!


Aquila non capit muscas