domingo, 12 de abril de 2020

Quarentena: Fábrica de concurseiros competitivos?


Considere a realidade atual do Brasil: um contingente enorme de indivíduos presos em casas por algumas semanas ou meses, com internet em mãos, muitos com renda caindo no banco e sem poder ir à rua para atividades de lazer - cinema, praia, barzinho etc -. O que temos é a receita de bolo exata, as condições perfeitas para que o número de concurseiros realmente competitivos aumente consideravelmente. 

Ou seja meus amigos, a próxima rodada de concursos vai vir pegada e as bancas deverão calibrar pra cima o nível de dificuldade das provas.

Me refiro aos primeiros certames pós quarentena. E quando acontecerão os próximos concursos pós quarentena? Ninguém sabe ao certo. No Rio TCE-RJ e TJ-RJ estavam abertos, mas foram suspensos. O senado federal sequer tinha aberto edital, e estimo que não o faça enquanto a poeira da quarentena não baixar. Mas em algum momento a atividade no setor público vai voltar e estimo que lá para Agosto as provas já retornem a ocorrer, com editais sendo abertos antes disso.

domingo, 5 de abril de 2020

Os três pilares do desenvolvimento

O tempo livre de quarentena é tamanho que hoje me vi perdido pensando sobre meus objetivos de vida e em quais aspectos de minhas características tento aperfeiçoar.

Cheguei a conclusão que existem três grandes áreas nas quais tento constantemente aprimorar meu desempenho.

Eu as mapeei eu vou transcreve-las a seguir, são o que eu chamo de os três pilares do desenvolvimento pessoal.


1- Saúde financeira

Ter saúde financeira é crucial, com ela você ajuda a si mesmo e aos outros, tem a sua reserva de emergência e não precisa ficar choramingando em tempos de crise. 

Se você é homem, a boa saúde financeira te deixará mais atraente para o sexo oposto, e não me venha com aquele papo misógino de "ah, mas então mulheres são interesseiras", não são, elas se interessam por homens de sucesso e isso meus amigos, no meu entender é muito mais digno do que se atrair meramente por  aspectos físicos, como ocorre com a maioria dos homens. Há quem coloque relacionamentos amorosos como um pilar a parte, nada contra, cada um escolhe suas prioridades, e talvez estejam certos e eu errado em minha filosofia de vida, mas para mim não é um pilar a parte, trata-se de uma continuidade natural do pilar financeiro.

2- Intelectualidade


Acho que ser inteligente é a melhor coisa que uma pessoa pode ser, após ser ético, afinal ser inteligente melhora não só a sua vida, como também melhora a vida de todo mundo, na medida que você cria soluções para a sociedade - ou pelo menos não cria problemas.

Divido este pilar em dois pontos, o primeiro eu chamo de inteligencia nativa do individuo, medida por parâmetros como testes de QI, a segunda, mais maleável e talvez até mais importante, eu chamo de cultura, que diz respeito ao conhecimento adquirido através de estudos.

Leia muito, pessoalmente leio em média um livro por semana, dos mais variados assuntos, ultimamente que ando meio parado quanto a isso. Leia inclusive sobre tópicos que você pode achar inúteis num primeiro momento, acredite, nenhum conhecimento é inútil.

Cuide bem deste pilar e ele auxiliará a cuidar do pilar financeiro.

3- Ética

Ser ético é algo que nunca pode ser descuidado, não te trará prêmios palpáveis como os pilares anteriores, mas acredite, te fará bem. E mesmo que não te traga retornos em benefícios diretos, não fará diferença, entender isso é o primeiro passo para ser ético, fazer o bem sem esperar retorno ou reconhecimento por isso. É uma tarefa difícil, mas para mim é algo fundamental na vida.



E são estes meus três pilares de desenvolvimento, deveria incluir um quarto, que é a saúde, mas por hora, ando bastante preguiçoso quanto a isso.

sábado, 28 de março de 2020

Dia #7: Pensamentos aleatórios sobre a quarentena

Essa semana não fui a repartição, trabalhei de casa com o que pude trabalhar no home office. Infelizmente ainda não temos uma estrutura que seja pensada para facilitar o trabalho remoto, embora temos tecnologia para tal. Inclusive na educação, já pensou se a EaD já estivesse bem direcionada na educação básica? Os alunos EaD não seriam prejudicados pela quarentena forçada e os alunos de educação tradicional/ presencial poderiam ser alocados em um sistema EaD já estabelecido, infelizmente tal sistema não existe.

E os concursos? Sem dúvidas essa quarentena deve postergar meus planos, não vejo o edital da cereja do bolo que é o concurso do Senado saindo enquanto durar esse período. Sem falar que, com tanta gente em casa, há uma brecha pra essa quarentena criar uma porrada de concurseiros picaralhos aí, somando aos já existentes pré-quarentena. 

Por falar com ficar em casa, quem são estes lunáticos que reclamam de tédio ao ficar em casa??? Meu deus, vocês tem internet em mão, façam coisas produtivas e/ ou entretivas, top of mind, sugiro atividades como ler livros, ouvir música, ver filmes, conversar com amigos a distância, conversar pessoalmente com o seu agregado familiar etc.

E a economia? Não é prejudicada nessa paralisação forçada? Com certeza, mas pelo pouco de literatura que li a respeito, se não inibirmos a ação do virus através de medidas drásticas, a situação pós pandemia é muito mais nociva do que em cenários onde houve paralisação e tomaram a porrada econômica de quarentena. Em um mundo ideal, se fechava tudo, e só se manteria saúde, segurança e comércio de alimentos... mas... como estamos no Brasil e a maioria da população não tem poupança, bem como o Estado não tem reservas suficientes para salvaguardar todo mundo, acho que alguns  tipos de industria devem ser mantidas, ainda que com menor pessoal, me parece que é algo neste sentido que se tem feito em SP.

Por fim, e eu não quero ofender eventuais bolsonaristas com isso, mas devo dizer, o presidente que vocês escolheram é burro pra caralho, um verdadeiro coitado digno de certa pena, completamente inapto pro cargo que ocupa e consequentemente nocivo a gestão.


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Os posts andam devagar porque não estou com cabeça pra escrever aqui, além disso estou meio sem assunto com concursos e serviço público. Se bem que outro dia estava conversando com um amigo meu de como alguns servidores públicos ganham salários iguais por ocuparem o mesmo cargo, mas moram em cidades com custos de vida diferente, o que faz os respectivos salários renderem mais ou menos. Achei que seria um tópico interessante para o blog, mas ainda não parei pra discorrer sobre o assunto. Quem sabe fica para outra hora.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Corona vírus e crise econômica/ Dicas para quem vai ficar em casa

O corona vírus ocasionou muitas medidas tomadas pelo poder público - com o apoio de diversos setores da sociedade - voltadas a paralisações de muitas atividades não essenciais. 

Com certeza, profissionais liberais, empresários e trabalhadores assalariados do setor privado vão tomar um golpe em suas finanças pessoais.

Felizmente, enquanto servidor público, recebo meu salário normalmente e claro, possuo risco zero de exoneração. Digo isso com todo o respeito e com toda a humildade possível, agradecendo a Deus pela honra se ser servidor público.

Entretanto, fico preocupado com o impacto financeiro que medidas como suspensão de aulas, veto a abertura de cinemas e teatros e restaurantes servindo apenas quentinhas podem ocasionar. 

Sei que as medidas são necessárias para frear o avanço do vírus, não são as medidas em si que critico, o que preocupa são os males financeiros que deverão ocasionar, e ainda sentiremos  o efeito a longo prazo.

O Brasil em particular já vem de anos de uma situação difícil, há muitos desempregados e a coisa não parece boa no horizonte, ainda mais com tantas paralisações de diversas empresas.

Andava preocupado com a saúde econômica do país, agora mais ainda. O jeito é nos prevenirmos e nos prepararmos financeiramente pelo que estar por vir.

A minha preocupação é genuína. O sentimento de empatia me leva a sentir pena de pessoas em situações financeiras desafortunadas.

A pobreza deve ser combatida. Não me levem a mal, desigualdade econômica é algo até benéfico para a sociedade, o problema é a pobreza e não a desigualdade.

Ademais, ainda que eu fosse um canalha egoísta, sei que via de regra nós servidores públicos nada produzimos e dependemos da saúde econômica do setor privado para o beneficio de todos.



Ainda no assunto, aparentemente o processo seletivo para temporários do IBGE foi adiado para 2021. O que é uma verdadeira pena, mas de 200 mil empregos temporários seriam gerados em todo o país, viria a calhar em meio a tanto desemprego. 

Dicas para quem vai ficar em casa

Você foi suspenso do trabalho, não há o que fazer na rua, bares, cinemas e praias interditados, fora que você possui responsabilidade social em se manter excluso.

O que fazer então?

A resposta óbvia é maximizar esse tempo livre.

Como?

Estude, use essa ferramenta incrível que é a internet e estude.

Comece a aprender um idioma novo, estude economia, estude astrofísica, eu não me importo. Se for matéria de concurso ou algo que você possa usar em seu trabalho, ótimo, se não, não faz mal, tudo tem utilidade, tudo te faz enriquecer como pessoa. Bom, quase tudo, porque, pelo amor de Odin, não perca seu tempo debatendo assuntos rasos de politica. 

Outra coisa a fazer é se entreter, mais uma vez, a internet é a ferramenta número um para isso. Minha TV por assinatura me liberou uns canais extras, mas sinceramente, me entretenho mais no Youtube.

Também é interessante procurar trabalhos freelancers que podem ser feitos de casa.

Por fim, tem algo para reparar em casa? Este é o momento.

terça-feira, 10 de março de 2020

A formiga, a cigarra e os concursos

Quando eu era criança, lembro de ter lido uma história em quadrinhos do Chico Bento em que o mesmo ia trabalhar  duro todos os dias com uma enxada deitada sobre o ombro - exploração de trabalho infantil, ninguém ligava naquela época? - e passava por um personagem sem nome que tocava violão e cantarolava sobre a cerca.

Naquela época eu já sabia que essa era uma sátira de uma famosa velha História que remonta a Grécia Antiga, de qualquer forma, transcrevo a seguir uma versão lusófona - tradução do grande Bocage sobre a releitura de La Fontaine: 

A cigarra e a formiga 

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o Verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
La Fontaine – La Cigale et la Fourmi,
illustration Jean-Jacques Grandville (1847)
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso Estio.

«Amiga, diz a cigarra,
Prometo, à fé d’animal,
Pagar-vos antes d’Agosto
Os juros e o principal.»

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh! bravo!», torna a formiga.
– Cantavas? Pois dança agora!»


Quanta riqueza em tão poucas palavras! A história é um clássico conto do que pode acontecer se você não trabalhar duro. Mas, mais que isso, ensina que o trabalho árduo é recompensado.

Não é astrofísica meus amigos, a moral da fábula é de fácil assimilamento: A ociosidade é perniciosa e traz um futuro tenebroso/ o trabalho duro é moral e traz um futuro promissor. 

Era verdade na Grécia antiga de Esopo, é verdade no Brasil de agora.

Tenho um amigo que é reencarnação viva da cigarra desta fábula, passa o dia no sofá tocando violão, sendo bancado pelos pais. Ele é um homem culto, imagino que esteja familiarizado com essa velha fábula, mas de algum modo não se vê nela.

Todos conhecemos algumas cigarras ao longo de nossas vidas, bem como conhecemos formigas.

Sendo frugais e cautelosas, as formigas depositam seus ganhos excedentes em bancos. As cigarras gastam tudo o que recebem com coisas idiotas.

A boa noticia é que não somos personagens de fábulas, então não precisamos ser uma cigarra para sempre.


Na história, a cigarra está muito feliz no começo. É primavera e as flores estão florescendo. O sol está brilhando. Ela quer cantar, dançar, tocar e se divertir.


No entanto, a formiga sabe, como gostam de nos informar em Game of Thrones, que o inverno está chegando. Este inverno, pode não ser o literal da fábula, pode ser um período de tempos financeiros difíceis. 

E para concursos, o que essa clássica fábula nos ensina?

Não é muito diferente da moral geral quando afunilamos o escopo dos ensinamentos a área de concursos. 

Comecei a estudar seriamente para concursos la pelos idos de 2016, de la para cá colecionei boas colocações e estou em meu segundo cargo público pós 2016 - já tive outros antes disso, mas eram tão ruins que eu nem contabilizo. Ainda estou longe do meu numero mágico aquele que vai me fazer sossegar e dizer "bom, agora o Estado já me dá o suficiente,  seria feio reclamar de um salário destes num país como este, cheio de pessoas pobres, agora posso buscar fontes de renda secundárias."

Mas enfim, tive muitos amigos que me conheciam já em 2016, mas de la para cá ficaram no mesmo lugar, muitos deles cigarras que veem o tempo passar e não encontram evolução.

E você, é uma formiga ou uma cigarra?

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Recomendação de post

Estava olhando um post muito bom no blog do bicho Poupão em que o mesmo traça um breve apanhado geral do histórico dos concursos públicos pós 88 e até tenta imaginar a situação num futuro próximo. 

O texto traz diversas provocações interessantes e recomendo que o leitor o confira. 

Poupão fala da Golden Age dos anos 2000 - que infelizmente eu não peguei - e da transição para o que eu chamo Idade das Trevas dos concursos - quem quer que tenha entrado em concursos grandes neste período tem meu total respeito - que foram os anos 2010, nos quais eu me tornei concurseiro e hoje sou concursado em um cargo relativamente modesto para o setor público, entretanto muito bom em relação ao setor privado. 

Prever o futuro é bastante difícil. Poupão demonstra em seu texto não enxergar de forma promissora o futuro concurseiro. Eu também não. Não tenho o dom a premonição, mas fato é que uma época como os anos 2000 dificilmente voltará.

Enquanto servidor público, tenho que agradecer a Deus todos os dias por essa oportunidade. Entretanto, não quero que pareça que eu reclamo de barriga cheia, mas ainda quero traçar voos mais altos, então ainda sou concurseiro, por mais difícil que isso possa ser hoje em dia.

Senado vem aí, vamos com tudo!

sexta-feira, 6 de março de 2020

A arrogânciade de concursados e concurseiros




O título é uma generalização, nem todos os concursados são arrogantes, por experiencia própria, sei que a maioria não é, eu mesmo não sou - pelo menos acredito nisso, rs.

Mas muitos concursados/ consurseiros são arrogantes.

Eu os divido em grupos diferentes, os quais descrevo a seguir:

1- O arrogante parasita

Alguns deles possuem uma filosofia profissional completamente esdrúxula de que por terem sido aprovados numa prova, merecem ganhar para não fazer nada.

Essa espécie de parasita merece ser escarneada, e como eu já falei aqui, os bons servidores públicos tendem a ser justamente os mais prejudicados, afinal, muitas vezes acabam tendo que fazer o serviço dos parasitas.

2- O arrogante do concurso simples

Existe também um outro tipo de arrogante, que é aquele aprovado em concursos mais simples, com salários baixos e consequentemente muito pouco disputados. Este tipo de arrogante somente faz mal a si mesmo e é sempre positivo encontrar um meio de mostrar a ele que o caminho pela frente ainda é árduo, ainda que estes cargos mais simples sejam de certa forma benéficos para iniciar uma carreira de concurseiro, como eu bem mencionei em outro post.

3 - O arrogante que não classifica

Esta aqui é uma espécie realmente irritante, embora não dê prejuízos como a número 1 - isso porque não tem oportunidade para dar prejuízo, rs.

Encontramos este tipo de arrogante nas saídas de provas de concurso. Eles costumam se gabar afirmando que a "prova tava muito fácil" - enquanto mantem uma risadinha no rosto.

Mas na hora da listagem de classificados, não dá nem pro cheiro. Estão muito longe do objetivo.

Uma dica que eu dou aqui, jamais, em hipótese alguma, desdenhe do nível de dificuldade de uma prova, respeite a prova e respeite os seus adversários. 

Aliás, uma prova fácil geralmente é mal calibrada, afinal favorece muita gente pontuando alto, o que não ajuda a peneirar candidatos.

4- O comissionado arrogante

Tá, estes aqui na maioria das vezes não são concurseiros e nunca foram concursados. Mas ainda estamos dentro do tópico.

Nem todos os comissionados são arrogantes, mas muitos são.

E qual o sentido de ser arrogante por ter um cargo em comissão? Na maioria das vezes em absolutamente nada indica que o individuo é um profissional competente. Apenas indica que ele tem algum contato politiqueiro que lhe indicou um cabide, isso é razão para ser arrogante? Não existem razões que justificam arrogância, ainda mais essa.

Pequeno causo: outro dia ouvi um comissionado chamado Gordofredo (nome fictício, ninguém se chama Gordofredo) encher a boca para dizer que trabalha na minha repartição já mais de 10 anos - no contexto, ele queria de certa forma me desmerecer por eu ser relativamente novato -. Nesse período, aproveitou bem a vida, sempre ganhou bons salários que permitiram que este fizesse viagens a Europa, a quais ele gosta de se gabar.

Eu ouvi isso e ignorei, o curioso é que dias atrás havia visto a lista de notas do meu concurso, de uns anos atrás, vi que Gordofredo havia feito a prova e sequer sido aprovado (sequer passado na nota de corte).

Havia algumas dezenas de candidatos a frente dele (e que haviam sido aprovados). Numa dessas eu pergunto, é justo nomear comissionados reprovados enquanto há centenas de profissionais mais bem qualificados conforme comprovado em concurso público?

É constitucional, mas não consigo ver de que forma isso é justo...


quarta-feira, 4 de março de 2020

Cotas por hipossuficiência: só poderia ser no Rio de Janeiro

Em 2017 foi promulgada uma das leis mais retardadas na História das leis retardadas, o que é um verdadeiro marco da estupidez em um país infame pela criação de leis esdrúxulas. 

Foi aqui no meu RJ. Terra abençoada por belezas naturais de primeira e amaldiçoada por politicos de quinta.

Em 2017 os legisladores fluminenses acharam que seria uma ótima ideia reservar vagas em concursos para população em situação de hipossuficiência, ques seriam aqueles com renda familiar per capita inferior a meio salário minimo.

O que me leva a questionar essa bizarrice em muitos aspectos. 

A questão mais obvia diz respeito ao fato que alguém pode até ficar desmotivado a trabalhar, com medo de sair da faixa da cota de hipossuficiência. 

Este país nos nivela por baixo, meus amigos.

Fora eventuais fraudes que possa ocorrer por conta de candidatos desonestos que podem se aproveitar dessa lei bizarra.

Candidatos que se saíram melhor em dado certame são preteridos em favor de outros que se saíram pior. Não existe meritocracia verdadeira desta forma, e quem pode acabar saindo perdendo é administração pública, que pode acabar deixando de contratar servidores de maior qualidade.

O servidor que está despreparado em relação aos outros da mesma repartição fica para trás desde o início e fica cada vez mais perdido à medida que seus colegas de trabalho correm à frente. Pior ainda, a inexperiência pode induzir pânico e insegurança, dificultando ainda mais desenvolvimento profissional.

Vamos exemplificar: Pense no ensino médio e imagine que, no geral, você se saiu bem, mas não se destacou. Suponha que você tenha sido repentinamente classificado nas vagas de concurso público com outros 19 indivíduos que se saíram de forma excelente no ens. médio. A probabilidade de você lutar para acompanhar o ritmo - ou sequer conseguir - é grande. 

Portanto, temos uma terrível confluência de forças que podem colocar indivíduos em funções para as quais não estão devidamente preparados. 

Se me permitem bancar o Advogado do Diabo, é oportuno mencionar que estar cercado por colegas muito capazes também pode trazer benefícios - a atmosfera pode ser mais desafiadora do ponto de vista intelectual e é possível aprender muito observando os outros. Ainda assim, este ponto isolado não me leva a defender estas cotas.

Alias, sou contrário a qualquer cota em concursos: social, racial, de gênero... Todas possuem malefícios grandes. O único tipo de cota que sou favorável é para pessoas com deficiência. 



Aquila non capit muscas