segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

UFF faz concurso mas esquece o conteúdo programático

 A novidade deste inicio de 2023 para os concurseiros do RJ veio no final do ano passado, aos 45 minutos do segundo tempo, no último dia útil do ano, a UFF - Universidade Federal Fluminense lançou edital com quase 200 vagas para técnicos administrativos.

A maior parte das vagas é para Niterói, mas há também possibilidade de lotação em Campos, Friburgo, Pádua, Macaé, Rio das Ostras e demais lugares onde há campus da UFF.

Os ganhos iniciais não são dos mais espetaculares (os de nível médio são bastante baixos, inclusive) e eu não considero sequer os de nível superior como concursos dignos de um topo de uma carreira de concurseiro. Mas, ainda assim, nessa conjuntura econômica que vivemos, esse concurso é uma oportunidade e há bastante vagas.

 Diria que o primeiro concurso grande para o RJ neste ano. Há também o da CGM-RJ, mas este é mais de nicho, no sentido que é mais especifico para especialistas na área fiscal e também é para lotação restrita a capital, sendo um concurso municipal. O da UFF é geograficamente mais abrangente. Além de também ser mais abrangente nas opções de cargos, bem como no quantitativo, em outras palavras, um concurso realmente grande no escopo.

Dei uma lida no edital, não me empolgo de trocar o meu atual pelos de nível superior da UFF, os de nível médio sequer cogito, são bem fracos, pareados com bons cargos de estrutura municipal.

Me chamou a atenção que o edital não indica o conteúdo programático das provas, até indica o formato das provas, inclusive quantitativo de questões, mas não indica o conteúdo programático. Será que eles esqueceram de publicar o conteúdo?

Bom, qualquer que tenha sido a razão, cedo ou tarde este problema será sanado.

Aguardemos. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Resolvi fazer um concurso só pra distrair

 Eu fiz apenas um concurso em 2022, não, não foi o do Senado Federal.

Foi prum cargo de nível superior em um pequeno município do interior, com salário análogo ao meu atual.

Não, não me interessava a mudança.

Mas o Carreira de Concurseiro anda tão parado que resolvi fazer acho que pensando em ter o que escrever aqui.

Tirei um domingo qualquer e fui de carro próprio a cidade do concurso, uma cidadezinha destas muitas que tem no interior, vocês sabem o tipo ou até moram numa delas. Uns 20 ou 30 mil habitantes e com não muito o que fazer.

Os preços pelos menos são módicos, especialmente de imóveis, se comparados a cidade grande. Já pensou ganhar bem numa cidadezinha destas? Talvez num cargo federal que paga exatamente igual a seu homólogo na cidade grande...

Pois bem, cheguei cedo ao local e comi como um rei obeso na churrascaria mais popular do local, ao preço do restaurante mais barato que fica próximo a minha repartição em minha cidade de trabalho.

Péssima estratégia.

Comer pesado antes da prova torna a digestão mais trabalhosa, o que sobrecarrega nosso cérebro, não me peça uma explicação mais detalhada, eu  sou de humanas.

Mas, só estava fazendo a prova pra me distrair, então tanto faz.

Fui pra frente do local de prova e sentei num meio fio estreito e desconfortável. Um bando de roceiros se agregava próximo, esperando a abertura dos portões e falando um monte de bobagens, na cidade grande o cidadão médio fala muita bobagem, mas roceiros são mestres nisso.

Notei um conhecido meu próximo, sentado mais adiante no meio fio, estudando. Evidentemente que este cara levava o concurso a sério. Vou chamá-lo doravante de especialista fiscal. Porque há uns anos, creio que há uns sete anos, ele me disse que somente estudava pra área fiscal.

Um carequinha gente boa que era amigo de um amigo que frequentava boates comigo quando eu era mais novo. Sim, houve um período negro de minha vida em que eu frequentava boates, hoje sinto vergonha de dizer isso. Mas, divago.

Portões abertos. Dei meia hora mais la fora antes de entrar, como é estratégico, passei no banheiro e enchi a garrafa d'água, fui pra sala faltando uns 15-20 minutos pro inicio, perfeição!

O mau é que já não podia escolher a cadeira de minha preferência, a maioria estava ocupada, então se você é desses que quer escolher, é melhor tentar chegar um pouco mais cedo, exceto claro em provas de bancas que notoriamente já indicam a cadeira pra você sentar.

Mas nem tudo está sobre meu controle, a prova ainda atrasou uns cinco minutos pra começar em minha sala, enfim. Pelo menos não peguei um daqueles fiscais chatos que falam bem além do necessário. Este falava o essencial, o que eu espero de um fiscal.

Quando eu estava sentado, esperando a prova começar, quem entra na sala? Ele, o Especialista Fiscal. Não pude deixar o grau de nervosismo e agitação nos braços sempre na vertical e mais acentuada nas mãos que insistiam em mexer de um lado pro outro enquanto rentes ao corpo.

Nervosismo de quem estudou muito e depende da aprovação, bônus se já estiver estudando há anos sem resultados de classificação, o que me parece ter sido o caso.

O especialista fiscal sempre foi um cara educado e simpático, o tipo de cara para o qual você torceria num concurso.

Eu, fiz a prova  e não pude deixar de notar meu despreparo em certas matérias, estou há anos parado, se este concurso me serviu pra algo, serviu pelo menos pra me fazer notar o quanto eu estou destreinado. É preciso me atualizar.

Saí da escola. Um dos primeiros, provavelmente pontuando muito longe da classificação, mas pra mim não era jogo sério, se fosse eu teria brigado questão a questão e olha só, teve até uma que marquei errado no gabarito. Displicência amadora. 

Encontrei um antigo colega, de meu penúltimo emprego, o qual agora ocupa cargos em comissão razoáveis. Ele me perguntou como fui, disse que a prova estava chata e relativamente difícil pro salário que este cargo pagava, nada formidável. Ele concordou, mas disse assim "Mas Astronauta, se você acha que tá ruim pra gente, saiba que tem gente pior", concordei com a cabeça, me despedi com um abraço e caminhei ao meu carro pensando que sim, tem muita gente pior, este sempre foi o caso, são os bucha de canhão, mas tais figurantes não são e nem nunca foram meus adversários, brigo mesmo com os candidatos realmente competitivos. 

Em tempo, o Especialista Fiscal foi bem na prova, não classificou, mas está na cola dos primeiros.

E assim foi fazer um concurso por Hobby. Chamem-me de louco, mas eu faria de novo. Se por algo, pelo menos pra ter o que escrever aqui...

domingo, 25 de dezembro de 2022

Memórias de um Concurseiro que não faz concurso

 Os últimos anos tem sido relativamente gentis para mim. Relativamente. Talvez porque eu sempre estive acostumado a apanhar muito na vida, mas quando fui nomeado em meu cargo atual há uns quatro anos, a vida até que melhorou um pouco e se assentou.

Não é meu primeiro cargo público, mas de longe é o melhor, já falei de cargos públicos horríveis que tive aqui.

Me acostumei então a segurança de uma monotonia, de uma rotina diária que me traz uma segurança melancólica. 

Ontem, no entanto, fui trabalhar e notei que o dia estava particularmente cinza. Um desanimo se abateu sobre mim e me dei conta que meus sonhos de riqueza tem ficado distantes, em segundo plano ou mesmo esquecidos em prol de uma vidinha modesta e segura.

Não viverei para sempre, estou envelhecendo aos poucos nesta rotina. 

Isso, meus amigos, é a zona de conforto a qual me acostumei.

Ainda me identifico como concurseiro, no sentido que pelo menos desejo, fazer concursos. Mas não os faço.

A pandemia foi um baque, congelou novos editais... mas não foi só ela que me inibiu, eu também sou culpado.

Mas não sou irresponsável, procuro ser ético e tenho minhas responsabilidades em meu cargo atual, o público depende de mim, não posso fazer um trabalho porco.E sinceramente, agora que estou dentro desconheço que se se tenha tão pouca demanda assim num cargo público como reza a lenda, talvez isso seja verdade em outros órgãos, ou tenha sido em outros tempos... Mas, se você for um bom profissional, sempre te procurarão aumentando suas responsabilidades, geralmente pelo mesmo salário, e eu sou daqueles que não sabe dizer não.

Esta talvez seja a falha, admito, na estratégia Carreira de Concurseiro que eu prego aqui.

Você corre o risco de se acomodar num salário medíocre.

E se afundar em demandas daquilo que deveria ser apenas algo temporário, uma etapa de um Carreira de Concurseiro.

Entretanto, continuo afirmando que se você é pobre, não se pode dar  ao luxo de só ir em concursos de alto nível, faça o que pintar, para se manter.

Se você é rico e tem quem o banque, a carreira de concurseiro não é pra você, vá direto nos cargos muito bons.

Por fim, se for mesmo seguir a carreira procure, sempre que possível, favorecer cargos que sejam bastante tranquilos e que te possibilitem estudar pra outra coisa melhor, procure também se manter motivado, sempre estudando.

E tenha, claro, um Feliz Natal. Forte abraço.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Dica para concurseiros iniciantes: Agente de endemias

 Quer iniciar uma carreira de concurseiro num cargo que paga pelo menos dois salários mínimos mais insalubridade e que pode pintar em qualquer municipio, até em cidadezinha de interior?

Agora você pode!

Graças a essa linda emenda constitucional de 2022. confira (eu grifei os trechos mais interessantes):

§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional nacional, as diretrizes para os Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias, competindo à União, nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para o cumprimento do referido piso salarial.         (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 63, de 2010) Regulamento

§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da Constituição Federal, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou de agente de combate às endemias poderá perder o cargo em caso de descumprimento dos requisitos específicos, fixados em lei, para o seu exercício.         (Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)

§ 7º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias fica sob responsabilidade da União, e cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer, além de outros consectários e vantagens, incentivos, auxílios, gratificações e indenizações, a fim de valorizar o trabalho desses profissionais.      (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022)

§ 8º Os recursos destinados ao pagamento do vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias serão consignados no orçamento geral da União com dotação própria e exclusiva. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022)

§ 9º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não será inferior a 2 (dois) salários mínimos, repassados pela União aos Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022)

§ 10. Os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias terão também, em razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e, somado aos seus vencimentos, adicional de insalubridade.    (Incluído pela Emenda Constitucional nº 120, de 2022)

É isso mesmo, neste cargo você terá constitucionalmente o direito garantido de ganhar ao menos dois salários mínimos mais insalubridade, tudo custeado pela União. Não terá risco de ter o salário defasado, tendo em vista que o SM é anualmente reajustado, sempre corrigindo a inflação.

Excelente oportunidade para iniciar uma carreira de concurseiro.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

"Seisou" com S de seis anos: Seis anos de "Carreira de Concurseiro"

 Serei muito breve, pois ando ocupado demais. 

Mas a tradição é dar uma palavrinha nesta data, aniversário de "Carreira de Concurseiro", seis anos não são seis dias.

Em análise retrospectiva, fiz poucos concursos ao longo da existência deste blog, estou no mesmo cargo há anos inclusive.

No noticiário, a data é marcada pela PEC 32, a tal da reforma administrativa, que assombra concurseiros em todo o país. Espero que não passe.

Espero que não passe porque ter uma cultura concurseira é bom para a sociedade comum um todo e é ótimo para a administração pública de qualidade. Que seleciona profissionais meritocraticamente e não por mero apadrinhamento politico. 

Espero que essa PEC seja apenas um susto. Para o bem deste país. Não podemos nos dar ao luxo de regredir. 

Quanto ao blog.

Está as moscas, o número de visitas diminuiu drasticamente, o que sinceramente me tira motivação para produzir conteúdo aqui, afinal, chega a muito pouca gente.

Mas vamos ver. Como já disse aí, não tenho planos nem razão para excluir o blog, ele sempre estará aí.

Todavia, tendo seguir a tendência que venho mostrando e postar menos conteúdo. 2022 está sendo o ano que menos postei aqui, desde o inicio do blog. Já não tenho o entusiasmo que tinha quando comecei a "blogar".

Quanto a mim.

Atualmente dedico muito tempo ao meu trabalho e ainda quero passar em um concurso de altíssimo nível, estilo Receita Federal.

É isso, que venham mais seis anos!

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Como um concurseiro deve votar no segundo turno? (2022)

 Bom, isso vai chatear a maioria dos eventuais leitores deste blog, que são bolsonaristas ou pelo menos anti petistas ao ponto de preferirem até o Bolsonaro do que o PT no poder.

De fato o assunto é delicado e aflora os ânimos de muitos.

Particularmente, eu considero ambos candidatos muitíssimo ruins e em qualquer país sério sequer seriam considerados a síndico de prédio, quanto mais a presidir a república.

Mas este, não é um país sério.

São essas as opções, por mais que queiramos outras: Lulo, Bolsonero ou se abster de escolher entre o menos pior.

Essa semana, o Amoedo, um político que respeito, até porque não é exatamente o que se entende no léxico brasileiro como "político", talvez por isso soe estranhe chamá-lo assim... 

Talvez seja porque no Brasil os políticos nascem ao contrário do ideal: é gente inútil que vai pra política pra enriquecer, ao invés de ser gente já feita que vai pra vida pública em busca do bem comum. O Amoêdo é o contrário deles, portanto é o ideal.

Pois bem, essa semana, o Amoêdo (deixa eu retomar o texto onde estava após essa longa observação) foi muito criticado por declarar o voto em Lula. Pessoalmente, penso que para ele o ideal seria declarar voto em branco, mas o camarada tem total liberdade de escolher o menos pior dos males e ele mesmo disse que seria oposição imediatamente no dia seguinte.

Mas e um concurseiro, como deve votar?

A resposta é óbvia.

Lula.

Dou a razão em linhas gerais: atualmente está tramitando no congresso um texto horrível da chamada reforma administrativa, assinada pelo próprio Paulo Guedes. 

Em diversos posts aqui no Carreira de concurseiro, expliquei porque esta PEC é muito ruim.

Fato é que os bolsonaristas conseguiram alto quórum em ambas as casas legislativas federais, o que pode ocasionar que essa "reforma" seja aprovada. O Lula no Executivo pode equilibrar as coisas, em outras palavras, os malucos extremistas se anulam.

O texto é ruim não só pra que pretende fazer concurso, como também o é pro usuário do serviço público, que terá que lidar majoritariamente com cabides de emprego apadrinhados políticos.

E eu? Como voto?

Bom, após a minha explicação acima, a resposta correta seria Lula, o momento seria de votar com o fígado.

Mas creio não ter estômago para isso.

Apesar de tudo, não tenho coragem de digitar o 13 na urna, ainda estou invicto quanto a isso.

Então devo votar em branco.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Socialização de dividas estudantis: No BR ninguém é contra

 Estava eu assistindo o debate presidencial no último domingo, quando um assunto usado como palanque pelo Bolsonero me chamou a atenção, em dado momento do debate: ele diz ter sido responsável por sanar dividas estudantis com o Fies em até 99%.

Basicamente, o cara faz política com a nossa carteira, dizendo orgulhosamente que todos nós pagamos por Uniesquinas usufruídas por outras pessoas.

Uma verdadeira socialização da dívida estudantil.

Quem acompanha a internet anglófona, especialmente em meios como o YouTube e o Reddit, sabe que a quitação de dívidas estudantis com o governo federal de lá é uma questão antiga que gera muitos debates acalorados.

Não sei mais em que pé está, mas num breve google, pude notar que o Biden já caminhou um pouco nesse sentido, não liberalizando geral, mas perdoando dívidas para ex-estudantes que atendam a certos parâmetros (vide BBC, em inglês). Provavelmente, se fosse um presidente do partido Republicans somado a  um Congresso dominado pelo mesmo partido, isso nem teria ido pra frente...

No Br é diferente! Todo mundo parece orgulhosamente feliz em poder perdoar dívidas de estudantes que realizaram cursos muitas vezes em universidades de péssima qualidade, vulgo uniesquinas, com preços lá em cima impulsionados justamente pela faculdade deste crédito estudantil ofertado pelo governo.

Não espero coisa diferente do que se entende por esquerda. É justamente isso que eles defendem...

O curioso é que por aqui, a chamada direita edita uma MP por meio de seu presidente ultra populista, a qual posteriormente é transformada em lei pelo Congresso, vide aqui.

À direita, apenas silêncio.

Os think tanks que poderiam dizer algo a respeito e tentar combater essa nonsense estão ocupados demais, se me perdoam a expressão de baixo calão, lanbendo as bolas do excrementício imbecil responsável pela edição desta MP, Sr. Jair M. Bolsonaro (gosto de pensar que o "M" é abreviação de merda).

Quem aí teve dívida perdoada com isso, vai ficar chateado com o meu texto, mas ta aí, publicada minha opinião, em linhas gerais, não acho legal que todo mundo pague por algo que nem todo mundo usou, Faço ressalvas com programas sociais que atendem os extremamente humildes, estilo auxílio Brasil, mas pagar universidade pra uma população majoritariamente de classe média é simplesmente bizarro. Ainda mais sendo, em sua maioria, universidades de muito baixa qualidade cobrando preços superestimados. 

Meus amigos, esse país é uma piada sem futuro.



Aquila non capit muscas